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Leny Andrade
lenynoshowalmamia1Resenha de Show
Título: Alma Mía
Artista: Leny Andrade (em fotos de Mauro Ferreira)
Local: Canecão (RJ)
Data: 18 de janeiro de 2010
Cotação: * * * *
Em cartaz em 3 e 4 de julho de 2010 na Lapinha (RJ)
"Bolero é bolero. Pop é pop...", diferenciou Leny Andrade no palco do Canecão (RJ), antes de cantar Nosotros (Pedro Junco), um dos boleros que a cantora depura em cena com sua técnica majestosa. Em sua estreia nacional, na noite de 18 de junho de 2010, o show Alma Mía reeditou o êxito do disco homônimo lançado em maio pela gravadora carioca Fina Flor. Leny sabe cantar um bolero no tom exato, sem cair no pantanoso terreno sentimental em que se jogam várias cantoras que encaram esse ritmo cubano que se popularizou no México. Leny canta boleros com bom gosto. "Sem maracas, sem bongô e sem congas", como a própria intérprete ressaltou em cena. Em contrapartida, em sua única apresentação no Canecão, Leny contou com orquestra de cordas - formada por 12 violinos - e naipe de sopros. Tudo sob a chique direção musical do pianista Fernando Merlino, produtor e arranjador do ótimo CD.
Como o disco que o inspirou, o show Alma Mía tem beleza por vezes linear. O tom e as tiradas pretensamente bem-humoradas de Leny sobre as letras - cujos conteúdos folhetinescos são descritos pela intérprete em bom e malicioso português - se repetem ao longo de boleros como Llévatela (Armando Manzanero) e Un Poco Más (Álvaro Carrillo). A entrada da orquestra de cordas, a partir de Lluvia en la Tarde (Arturo Castro), altera a pulsação dos arranjos sem desviar o show do trilho básico. Lluvia en la Tarde, a propósito, é bolero que deságua no Rio da Bossa Nova, em arranjo inspirado. Após Entonces (Arturo Castro), número em que sobressai o piano de Fernando Merlino, Leny acerta ao inserir um set de músicas brasileiras. Porque poucas cantoras interpretam um samba como Alvoroço (João de Aquino e Ivor Lancellotti) com tanta segurança e com tanto suingue. Se Sou Eu (Luana) impressiona pelo laço afro que reforça as afinidades entre o maestro Moacir Santos (1926 - 2006) e o letrista do tema, Nei Lopes, Batida Diferente (Maurício Einhorn e Durval Ferreira) mostra - para quem ainda não sabe - que Leny sabe cair com bossa no samba-jazz. Número de longa duração, Batida Diferente é pretexto para scats e solos da afiada banda. O bloco nacional esquenta o show a ponto de, na volta aos boleros, Leny seduzir de imediato a plateia ao realçar toda a beleza de Alma Mía (Maria Grever) e de Vete de mi, o bolero de Virgílio Expósito e Homero Expósito que Caetano Veloso gravou e propagou no álbum Fina Estampa (1994). No fim, uma esplendorosa interpretação de El Dia que me Quieras - a canção de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera que se transmutou em bolero, mesmo tendo sido criada no universo argentino do tango - ratifica a maestria do canto de Leny Andrade, intérprete que sabe que bolero é bolero e que pop é pop.
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Uma das cinco belas parcerias de Nei Lopes com o maestro Moacir Santos (1926 - 2006) arquitetadas para o projeto Ouro Negro (2001), Sou Eu (Luana) foi a surpresa do roteiro seguido por Leny Andrade na estreia nacional de seu show Alma Mía. Baseado no homônimo CD de boleros, recém-lançado pela gravadora Fina Flor, o show estreou na noite de 18 de junho de 2010 no Canecão, no Rio de Janeiro (RJ). Entre boleros cantados em espanhol, Leny - vista no post em fotos de Mauro Ferreira - também incluiu no repertório raro samba composto por João de Aquino com Ivor Lancellotti, Alvoroço. Eis o roteiro da estreia do show Alma Mía:
1. Una Mañana (Clare Fisher)
2. Sabrá Dios (Álvaro Carrillo)
3. Llévatela (Armando Manzanero)
4. Un Poco Más (Álvaro Carrillo)
5. Como Fue (Ernesto Duarte)
6. Lluvia en la Tarde (Arturo Castro)
7. Entonces (Arturo Castro)
8. Alvoroço (João de Aquino e Ivor Lancellotti)
9. Sou Eu - Luana (Moacir Santos e Nei Lopes)
10. Batida Diferente (Maurício Einhorn e Durval Ferreira)
11. Alma Mía (Maria Grever)
12. Eclipse de Luna (Margarita Lecuona)
13. Vete de mi (Virgílio Expósito e Homero Expósito)
14. Nosotros (Pedro Junco)
15. Mía (Armando Manzanero)
16. El Dia que me Quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera)
17. Una Mañana (Clare Fisher) - reprise
Bis:
18. El Dia que me Quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera)
 
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